segunda-feira, novembro 16, 2009

Para compor o ambiente.



'O som que tangia os ouvidos atentos dos presentes, ainda que de forma desgostosa, entrava em conflito com o estado emocional singelo daquele indivíduo de incauculável rudeza e aborrecimento. Estava sentado num ângulo disforme e antagônico ao aspecto uniforme e parnasianista do local e adornado com aquele natural descomprometimento com a aparência: um fato que dava um toque sutil a sua postura vulnerável - e fazia par com os hieróglifos indistinguíveis da circulação incessante de pessoas, a qual moldava caracóis e abstrações de uma criança feliz em receber gizes de cera e um papel (símbolo de alvidez), pobre papel. Não obstante, ao posicionar-se com decidida expectativa naquele canto vago e preenchido de mansidão - isolava-se daquela maneira súbita, e aguardava algo animador, surpreendente e incrível, mas apenas aguardava - confomou-se com a observação de uma dama - "ah, que diabos fazes aqui, senhora?" - a qual trajava um conjunto ilustre de indumentárias históricas e feitas, presumia ele, de acordo com o rigor da época. Evidentemente não ocorria-lhe o nome ou a composição psicológica daquele ser, pouco importava, a propósito, tampouco era de seu desejo tê-la por perto; afinal, conforme aprendera durante uma sucessão brutal de decepções sintéticas, seus amores devem encontrar-se num raio estrito da ausência de sentimento - ou algo perto disso: um horror derradeiro.'

Ao visualizar este composto de tolices, queria eu reduzir o tal papel a pó. Todavia, pressupondo pertencer a um sábio o bater do martelo, o toque da chama ou o destino de qualquer prosa, abstive-me de tal pensamento para voltar à tentativa de descrição do que não pude retratar na circunstância passada: a dama.
Sei que não é de teu interesse, leitor de entranhas, e com definitiva razão estás, mas creio ser direito de um escrevinhador tentar seduzí-lo com esta fábrica vitalícia de máscaras e disfarces, que, como resultado, traz à venda da inspiração e paciência por um vintém valorizado: o esforço das pálpebras tais. Sigamos.
Antes, valendo lembrar meu ato espontâneo em tomar parte do papel ocupado por equações estúpidas, tive a moça alva deitada sobre um banco de pés indecisos e declaradamente influenciados pela lei que nascera em uma ousada macieira e uma caixa encefálica de prestígio. Observei-a com temor: era esse padrão que me distanciava do pólo "ameaçador" (ao cônjuge, naturalmente) ou esnobe, algo que, nas duas dimensões, resultaria em olhos púrpura e em um sistema digestório em sentido contrário. Então a pequena, que não em tamanho, mas em expressividade e conveniência, tomou a si um instrumento de cordas; dizia eu que de todos eles era o mais acolhido pela sorte, vez que se instalava ao ouvidos e ao pescoço da ruiva sóbria, impaciente e disritmada, dona da voz pouco marcante e ecônomica em verbetes dissilábicos.

A ser sincero, como se esta fosse minha obrigação para com o saprófita infiel que me lê, desejei que aquele exemplar de beleza se arriscasse a ler esta estupidez; e por razão mais que comum, ou consequência, esta construção não se vê mais necessária, contudo ocupará um número preciso e modesto de pixels num blog confuso e alocado na página 66 do site de busca mais popular do mundo.
Chamam-me por ora. Despeço-me. Esqueço a dama, dirijo-me ao saguão de entrada: esta se perderá, como ocorre com todas elas, na imensidão do orbe infeliz, - "pensa Terra ?" - são meus olhos !

domingo, outubro 25, 2009

Mediocridade Equitativa e Categórica.


Interessante - mas não próximo ao grau dos números - é contemplar estas reviravoltas casuais e irônicas que empreende o módulo social; atônito e apressado, mantive-me estático a perceber-me frente à superfície refletora dos medos e, não menos essencial, da face.

O espelho plano, segundo a professora de olhos fugazes e corpo dotado de flatulências, reflete virtualmente o que se encontra no plano real, mas eu, tolo aluno da extremidade direita da classe, era incapaz de assim ver, e tentei erguer o dedo lentamente para discordar do conceito estabelecido àquela senhora nos tempos acadêmicos - "Professora, tentou realizar na prática o que pediu a seu mestre que lhe explicasse ?", predizia eu em pensamentos. Presumo que não, e, ignorância vaidosa dos tempos atuais, a moça aderiu à triste filosofia, e o diabo que me lê também o faria se restrito fosse o acesso a este incondicional artigo, o qual surgiu a partir de um desprezível aborrecimento somado ao dever diário de pensar nos seres que ainda sobrevivem através das prosas medíocres redigidas por um estúpido humano (sim, um humano!) - contudo saiba tu, detetive de entranhas, que não há um único indivíduo que tenha sua linha da vida ligada às minhas orações mal colocadas, mas treino, maldito dia que chegará como cavalo em galope apressado, para o idealizado momento em que sentar-me-ei trás de uma máquina de escrever para dar segmento a contos e variáveis projetos literários, uma lástima estética !

Assumo antitética a última construção, mas sugiro que a tome como otimista, senhora (?), afinal, lástimas estéticas possuem lá seu encanto misterioso, extremamente subliminares eu diria, que apenas traduzidos poderiam ser pelo proferidor maldito de tais, mas não fujamos do regente geral, pois ele me atingiu, raio que parte ao meio o jacarandá adulto (rio-me, pois me veio à mente certo trocadilho), com certa brutalidade e rudeza.

A referida mediocridade, embora me falhe à memória sua real composição e propósito, mostra-se no mais familiar ambiente, aquele que dou-me ao luxo de frequentar diariamente, e o qual enfatizo adornado, a não dizer saturado, de hipócritas de variadas classes e intensidades : a escola. Em iguais doses, o teor equitativo representa belo balanceamento de necessidades, pois, como dizia já o senhor medonho que dispõe a língua ao contemplador de sua fotografia, tudo é relativo, e a necessidade da senhora que aceitou como certa a escassez da utilidade do espelho plano era manter-se simples e enviar ao lixo consciente a possibilidade de refletir sobre a ciência que agora, mais do que nunca, dizia-se conhecedora. Uma medíocre conhecedora, naturalmente. E dói-me ver categórica essa iniciativa, que, discreta e sagaz, abrupta e sigilosa, corrói os moldes mais belos do que poderia ser a profusão incontrolável dos valores e dos méritos mais desejáveis, além de ser futuramente responsável pela herança digna da nobreza conceitual - uma dádiva, em resumo !

Ababelado estou, confesso, com o núcleo e razão da escrita, mas como também diria a categórica e equitativa sutileza de outra mestra, que de medíocre passou distante, há determinadas oportunidades que tornam-se únicas e, por este mesmo motivo, apresentam mais expressivo valor, ao passo que outras, de variadas formas nos vêm possíveis e talvez não possuam tão considerável mensuração, e isso se reflete - voltam-me as memórias do maldito e subestimado espelho plano - em tal prosa, que ensinou a ti, caso tenha absorvido a mensagem real que dispus-me a transmitir, o erro cometido e a inutilidade da introspecção, que esconde e prolonga o que não lhe desperta interesse, senão a curiosidade instintiva do gato ao muro (vide Adiado.).

Rendo-me ao chamado afetivo, e encerro esta narrativa satisfeito com os resultados de minhas práticas reflexivas, podendo avaliar minha capacidade de externar a você, saprófita das letras, um seguro adeus.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Adiado.


Estive eu, fugindo pela eternidade adúltera das tardes vagas, a adiar o traço destas belas reminiscências pertencentes ao dia mais subversivo de uma vida; a minha, naturalmente. Contemplava, imóvel, o aspecto peculiar que tomou meu semblante social, - obviamente alterado pela presença suprema (quase divina!), da moça pálida e desenvolta, dotada de olhos vívidos e jurídicos (dói-me a alma lembrar daqueles orbes-girassóis) - que agora se apresenta matriz de minhas angústias, de incertezas, clamores, da perda da retidão de espírito, mas não tão bem da morte, pois dá-me vida, e l faz-me tomar palavras de um escriba boliviano de nome Camacho.

Seria plausível amaldiçoar, costume corriqueiro e banal de idosos, o dia ensolarado em que, curiosidade histórica do gato de inclinação instintiva ao muro, tive-me a verbalizar uma fútil idéia, talvez opinião, sobre a estética e modos relativos às indumentárias suficientemente agradáveis a meus olhos e mente, isto é, que não perturbassem a ordenação de minha pitoresca e admirável postura. Uma reflexão instantânea, proveniente da necessidade de tranquilizar e justificar meu ato, sugeria genérica a minha atitude; sim, genérica, mas apenas quando dada a divagações particulares: a minha fora pública - e a reflexão se declarou finada.

Talvez não haja, conforme previsto, um objetivo específico para tal relato, e confesso que incompleta está essa inferência, visto que o leitor, acuso, voluntariamente concede às pálpebras certo relaxamento: uma preposição ao concerto onírico que já vem a badalar as noites inquietantes e alucinações vãs, que apenas reproduzem os desejos residentes no encalço da ambição. A propósito, esconderei os protagonistas destas meias-memórias, para que nenhum diabo as torne redutíveis. Adeus, leitor de entranhas.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Antípoda do dia é o choro.


A antípoda do dia é o choro, e dado à escrita bem cedo, tratei-me a contemplar bons autores, boas inspirações, boas técnicas, porém faltava-me sempre um ponto crucial, uma unidade, aquela medida exata e qualitativa, - e acho que isto se reflete em todo e qualquer diabo letrado que se preza - a dama.

Ainda infimamente atribuído às minhas prosas, creio ser o realismo o fabricante dessas negativas, meu elemento recai em uma desconsideração, minto, de rodeios e circunvoluções declaradas, - salvo o método romancista, que peca em seu módulo fantasista e aristocrata - um horror em desatino. No entanto, caso dessem-me a oportunidade de constituir esses escárnios hiperbólicos, descartando-se a missão de torturá-los com complexas filosofias, e distanciar à posteridade a compreensão do leitor, daí sim, saprófita derradeiro, poderia agregar as tais denúncias como fizera a fonte incessante da inveja que oxida minhas artérias, e glorifica as sociedades; o que, erroneamente, chamam gênio. Rio-me, e intensifico o jogo perigoso.

Dado o aborrecimento da véspera fria e silenciosa, do que talvez represente meu nascimento, tive-me em dois momentos a optar pelo efeito da narcolepsia. Quebrar tal momento lúcido e colher os oníricos fragmentos de minha ascenção social em delírio é mais lucrativo que empenhar-me em uma missão talvez duvidosa, dificulta e, em termos, inútil, pensava eu. Entenda, portanto, tu, leitor de entranhas, que a geratriz de um interrogatório inicia com um comentário sugestivo e algumas conveniências justapostas: a habilidade insensata de descobrir a face e consolidar sua identidade suja e saturada de treva, possivelmente agradável a um ou dois exemplares da mais incoerente natureza, uma lástima! Sugiro que essa natureza desperte lá o efeito de um prisma de refração, que redistribui a composição da luz em feixes que lembram-nos o arco-íris (e por que não registrar a tal natureza com este nome ?).

Não compreendo sua resistência, faminto leitor, às minhas vãs metáforas empregadas aos Números; eram estas essencialmente degenerativas e lúgubres, compostas de moldes mal feitos e de discórdia em acúmulo, um horror em desatino. A lógica propõe, ainda, a tendência literária ao mais perfeito equilíbrio, isto é, o abandono presente das armas imundas a que me disponho, para emprego de estilo impecável e roteiro virgem de imperfeições - talvez não seja eu um literato, portanto.

A ti arremesso, se ainda quiseres prosseguir nesta incolor breguice, as estruturas de mais instantânea fecundação (e talvez mais desprezível); uma tentativa ineficiente de conquistá-lo em tal página, mas com o pensamento na natureza citada e em seu exemplar de mais prestígio e sagacidade: arremessar é brando demais ao nível aqui utilizado, obrigo-o a digerí-la. Também confesso que desconheço o destino original do que seria um conto fugaz. O interesse pertence apenas a um leitor, e este deve abdicar o desamor e unir-se à composição integral do artigo, e por este motivo deixo cortejarem os demais a cegueira, a tácita névoa cognitiva e indubitavelmente a interrupção. E interrompo por imundície adotar.

Reluziam grandemente as primárias cores. Atiravam-me reflexos abruptos e violentos. O arco-íris imprevisível circundava agora os campos toscos de minhas frases elaboradas com conhecida espontaniedade, mas deixou-me só no período mais escuro da noite, e tremi de temor (sim!); ria-se agora, curioso contemplador das derrotas, e tenha a ti mesmo com admirável alegria, pois o pseudônimo que emprego teve-me como à mão de semear, e estúpido fiquei, alarmado, aguardando o que seriam os raios castos do sol de meu nascimento, uma dádiva à morte - vide O virtuoso fim.


terça-feira, setembro 29, 2009

O virtuoso fim.

Embora tenha anunciado um tempo não muito agradável à sensível íris daquele garoto, o dia nascia mesmo assim, carregado de raios em laranja, e talvez bem semelhante à tinta que tocava a água e se dissipava no frasco insípido das atividades da meninice, partindo do disco amarelo que resplandecia e contemplava, no infinito, a incondicional natureza. Bastava continuar tal narrativa se não houvesse o intenso soar de um despertador sob o travesseiro. Som agudo, derradeiro, de uma unidade já esquecida, porém suficiente para atrair o mau humor ao mais calmo ser humano, pondo que sonhava profundamente (e sabia viver as intempéries de um sonho!) com algo inestimável, talvez até com o futuro, que lástima!
Deu-se, portanto, ao trabalho de queimar o que escrevera no dia interior, isto é, uma abstração temática de sua mais nova estratégia: a maquiagem situacional - tão bela ciência que poderia ganhar centenas, quiçá milhares, de pesadas vaias, de pesados urros, selvagens ou hostis, que lástima!
Na lógica geral, aquele garoto deveria encolher-se e entregar-se ao pranto matinal: o mais frio e solitário choro, que mantivesse suas angústias em um ambiente externo, ou até mesmo em sã consciência, se essa existisse. Tomou a si a parafernália. Havia muito tempo que não tocava a caneta de escrita, e a somou ao papel com veemência, contornando um conto bárbaro, o horror.
A luz do sol alcançou seus olhos. A caneta perfurou seu pescoço latente. Seu conto se borrou de sangue: O virtuoso fim.

terça-feira, setembro 22, 2009

Números - a sequência filosófica.


Para desanimarmos de tal prosa, basta vermos a confusão de que se seguiu o conceito anterior, que tanto sugere um resquício da exata dose de inconformidade e carência, mas carrega consigo a caracterísitica enfadonha de suplicar e encolher por tamanha vontade de se sentir interessante ou, ao menos, apreciável. Não sou adepto à prosopopeia diária a estes, mas eis que apresento o instante em que ocorreu-me o que devo chamar de Teoria dos Números, uma aparente tolice para os que pouco apreciam tais devaneios, porém de grande valia aos necessitados de uma estrada rígida e retilínea, a qual poderá conduzir a uma estabilidade de caráter e humor os perdidos e desestruturados socialmente.
Convenientemente, tendo em vista o modelo que acabo de ressaltar, percebo meu retorno a um método pouco eficaz, mas que por anos tem sido meu estilo, e não inspirado em um clássico e renomado autor, mas desenvolvido por mera e sagaz necessidade de transmitir essas malditas memórias, que se dão partida por uma ideia fixa, e esta de um amigo, aquele mesmo a que dediquei um artigo - vide 'Omedetou' - o irmão. Viu-me quase morto por meus delírios, e deteve-se por salvar daquele antro de segregação o autor estúpido que escreve a ti, curioso e destemido leitor; ainda não sei se visitas estas breguices textualizadas para contemplar estados deploráveis do ser humano - e até penso em trocar o título deste blog para algo relativo à minha decadência, mas deixo isto para o fim próximo deste.
Como já explicitei o estado em me encontrava naquele dia de calor excessivo e discrepância ideológica, surgiu a mim tal alucinação, que não sou eu o primeiro a descrever, mas um dos; de forma contraditória, pondero ser inútil por ora, e talvez transporte a um anexo qualquer, em uma data qualquer, e por uma importância qualquer, pois assim estaria me afastando do núcleo proposto, que desta vez não ousarei desintegrar por nada, em respeito a meu leitor, o qual curioso ou oportunista deseja ler-me.

Esta medida filosófica que aplico aqui, em verdade, provém de Quincas, que herdou a propriedade de tornar científico o comum, e salientar o que é devido, claro, a vocês, mas com intensidade egocêntrica,pondo que felicito-me com a possibilidade de fazer, pelo simples fato de fazer, a teoria. Trocou comigo algumas dúzias de palavras aquele ser; apontou medos, causas, soluções; crendo eu que subestimava minha capacidade de transmutar em algo racional meu desprezível estado competitivo (e era competitivo), traçei três ou quatro rotas: queria mudar, precisava mudar, e ele, sutilmente, conhecia os meios, as causas e as consequências. E com a mesma sutileza, determinou o epicentro dos meus problemas; ria-se, leitor de entranhas, ria-se, eram os números, e aqueles que acompanhavam as avaliações escolares (maldita e bendita escola!).
Cuido que, a mim, fora uma evolução dinâmica: duas conclusões e uma modificação na conduta, mas acho que de tanto dar voltas para chegar ao fato em si, o abandono à filosofia deu-se concretizado (ou não!) - por que diabos não pode tentar o leitor fazer o que fiz, abdicando, caso tenhas a mesma paranóia que tive há três dias, e encontrar uma filosofia própria, utilizando os meios que me dispus a apoiar ? Seria belo, sem dúvidas ! No entanto, o fim.
O fim, fantástico, foi um literal peso deixado de lado, resguardado em meios aos outros tantos vestígios de delírio. Enfatizo, ainda, a existência de dez números, e a significação deles quando desconsiderados.

Não sei ter sido de grande ajuda, mas acho que tenho um artigo de crédito para compensar esse "lixo literário". Adeus, saprófita das letras.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Números - um primeiro parâmetro.


Destes que se desvencilham do objetivo real de uma página escrita, os números se apresentam como componentes demasiadamente alheios a toda a lógica aqui existente - se é que há alguma. Não sei ao certo se estou para analisar, julgar ou mesmo especular sobre tais "seres", mas é conveniente relfetir meus temores com os que passaram a conhecer meus oníricos fragmentos de alma e compartilhar também dos sentimentos negativos e transcendentais que me assolam, seja atual ou anteriormente; prossigamos com a análise.

Atacou-me uma postura indefinivelmente bela, - perdõem-me os adoradores do contexto literal, mas, por ora, esconderei-me em metáforas frias e mal construídas - que sobrepunha, periodicamente, a racionalidade de meus atos, bem como o propósito deles: um hábito. Não queira tu, faminto de letras, incorporar um hábito repentino, pois, quando vêm, tomam-te do equilíbrio psíquico e arrebatam-no do colo da justiça e do amor - salvo que os tenha por alguém ou por algo, naturalmente. E sendo assim, cuide, ainda, para que não se acomode nestes leitos da maquiagem rude e eficaz da dor muda, pois o que há de sofrer traz quatro letras no nome, e não sou eu o ditador deste enigma juvenil, e tampouco o mais beneficiado em resolvê-lo.

Ademais, não sei se atento está, caríssimo leitor, para continuar a compreender essa prosa que circunscreve os campos castos da literatura, mas, deduzindo que estás profundamente interessado nas dimensões aqui contidas, digo que desviei-me propositalmente do eixo central que descrevi com o título para tê-lo familiarizado com os pensamentos que me ocorreram durante a descoberta de tais elementos, até previsíveis demais: os números. Deste modo, o primeiro parâmetro não apenas introduz, mas os adapta e prepara para o que virá após, pondo que este módulo é irremediável ao meus dedos apressados, e minha iniciativa propõe mostrar a vocês o mesmo que vi, temperando com subjetividades e harmoniosos eufemismos, a fim de não reproduzir a dor que senti ao mergulhar no bruto viver do ser humano - algo que em nada difere de seu dia-a-dia, mas que diverge da interpretação corriqueira.
Envolva a importância e visualize meus verbos imperativos, que pertencem a um modo desprezível, mas essencial à rota que pretende seguir através desta leitura. O desrespeito bate à porta, adeus.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Diálogo.


Nos últimos que levei, tais como seis ou sete minutos, desenvolvi uma habilidade inusitada de conduzir as conversas ao meu rigor, contornando assuntos evitáveis, inúteis, e até mesmo aqueles que remetem à intimidade - que se encaixam nos evitáveis e inúteis, perdoem-me.
Ambas as garotas, postadas em formação de 'L', a contar comigo, descreviam relacionamentos bizarros e inconformidades conjugais, e eu, tolo como sempre, interessado em assinalar erros e a não praticá-los à dama que me escolher futuramente: um adolescente estúpido. O tempo passado me doía a mente, e meu livro, cujo autor limenho me hipnotizava, estava apreendido na sala de aula, clamando com suas milhares de palavras meu nome - "Arthur, Arthur, onde está você?" - e as garotas a narrar seus malfeitos às escondidas, bem como faço em distorcer trecho e meio desta crônica.

Aliás, pauso a narrativa para contar uma sandice que ocorreu-me hoje: a crônica. Jamais me interessei por descrições pouco elaboradas e tentativas de familiarizar o leitor com o fato em si, contudo, não sei por qual motivo, hoje me entreguei a analisar o diálogo da tarde quente e confusa, mas voltemos.

Após o chamado incessante do livro - se quiseres lê-lo, fica o nome: "Tia Julia e o escrevinhador" - retornei à realidade dos que me falavam. Apesar dos olhos trêmulos, que sempre foram, mas nada desatentos, alternava alguns comentários válidos, os quais se encarregavam de convencer as moças da existência de meu interesse integral pelos namorados e cerimônias. Como já citei minha transição volúvel de assunto, dei um salto olímpico por cima dos cônjuges e planos, para aterrisar em um solo infértil das profissões, estas mostrando-se além do terceiro plano de vida e se perdendo nos cantos incolores das prioridades, a se juntar ao amor-próprio (olha quem dizes), pff.
Confesso que julgo sem propriedade, e diriam as más línguas que ando pior que tais senhoritas, mas ignoro os monólogos enfadonhos e sigo adiante para o título.
É certo que meus comentários tenham atraído bons frutos. Uma delas tomou-me pelo braço, inexpressiva, e pôs-se a lamentar uma vida que quisera eu um dia ter - não mais. Enfim, do restante o leitor deduz por si: um cheiro no pescoço e a nostalgia do passado, meia dúzia de elogios e.. não, nada de ósculo por hoje, apenas retornei ao meu carente livro e pus-me a desbravar a terra virgem da literatura (eu era o primeiro a alugar o livro na biblioteca, saudem-me!).

quarta-feira, setembro 16, 2009

Item: espectro.

Não compreendo deveras o meu sumiço, por isso submeto-me a implorar ao paciente leitor que não abandones o perfil solidário de quem escreve, uma vez que em momento algum tirei-os da mente serena e ansiosa: uma idéia fixa.

Embora tudo tenha conspirado para tal decepção literária, pus-me a atrair novos componentes conceituais, mas nada que realmente impulsionasse minhas utopias diárias de ser o grande mentor e ícone da arte gráfica contemporânea (e ao mesmo tempo antiquada - palavra!). Conscientemente, contemplei o avanço de alguns, o retrocesso ao Arcadismo (em breve aqui constará) de outros e, convenientemente, minha dissolução em esforços inúteis e pouco reconhecidos, um suor dourado e tristonho, que mencionado em palavras arranca-me um soluço, ou dois. Definitivamente não convém atropelar a ordem natural das coisas, e tampouco iniciar lúgubre depoimento, mas confesso, senhora, és refúgio, és minha ponte ao otimismo. Não obstarei se vindes a acusar minha inspiração, pois isso se faz ao mais atento e ordenando sentido, salvo senso comum: a confusão ou demência.
Este item se encerra pela falta de tempo, um sinal recorre aos meus ouvidos: a hora de partir. Retorno em breve, trazendo alguma segregação com meu ser. Adeus ~

quinta-feira, agosto 20, 2009

Omedetou.

Analiso incontáveis apropriações do denominado destino; a perceber suas peripécias e descontroles, me interesso bastante por sua metodologia de surpresas e desvios. Há algum tempo, modificado por uma desventura, deparei-me com algo semelhante a um humano, composto de vestes expressivas e de enorme significado para meus olhos famintos por respostas e diretrizes, ainda que meramente ilustrativas. Aquele amigo, não tão comum em relação aos outros tantos que inventei, surgiu de uma circunstância dantesca, apoiado à minha tolice e inconformidade, uma repulsa - salvo senso comum.
Certa vez, a pensar sobre os enfoques psicográficos de meu perfil, nada mais encontrei senão dependência e sistêmicos atos inúteis, mas, ironicamente, o projeto de humano se enquadrava em algum componente daquela parafernália; talvez o mimetismo, ou a própria dependência.
Caio em uma repentina 'futurização', onde minha vida se constitui de insanidade e expectativa, um conjunto desgraçado e incompatível, absolutamente falho. Não obstante, pergunto-me se não se aplica à Mão Divina (Berserk ><) ou ao caos diário do esquecimento, pois de nada vale os parabéns sem o impacto que gera um diálogo, agora impedido por firewalls e proxys de um erro cujo código me foge à mente. O humano que se torna irmão, o irmão que se torna essência: algo indescritível, ou talvez grande demais para conciliar às expectativas do único leitor interessado a esse artigo.
Parabéns, Kylmer Sebastian.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Quando se esvai o provisório.

Certa vez, em uma reflexão despreocupada e deprimida, realizei uma determinação insignificante sobre os inúmeros simbolismos que perseguiam-me a cada mudança: espaço-tempo, naturalmente.
Atraiu-me a estrada estética da melancolia, adornada por belíssimos e característicos prantos vocalizados, máscaras infelizes, centelhas de compaixão e compreensão; era apropriada, ainda, por um viajante imóvel, limitado a observar a dimensão desprezível do trecho tortuoso em que se encontrava, e a cortejar o medo e a loucura em um único ato. Assim estava Nostalgia, com pouca bagagem e ânimo, apenas com a simples tarefa de entregar-se ao dono do local dominante, o Conde Melancólico, autor de imposições, controvérsias e ilusões, capaz de desintegrar relações e manipular seres de emoções.
Ali se destacava uma constante reação. Esta um pouco irônica e demasiadamente evitável, pois não significava um simples fado ao esquecimento, mas a perda completa do que me transportava ao prazer psicológico do retorno à origem, à essência, ao primitivo. Não pude conter as frias lágrimas que se apresentavam aos olhos, e tampouco me dar ao luxo de encontrar a alegria em algum exemplar humano dotado de tal; então, para que não dissimulasse o horror que se mostrava naquele som um dia tão belo, tão diário, tão gentil, deixei uma passageira compôr minha locomotiva de azar e amargura: a Srta. Ira. Evidentemente, não estava equivocado com a aparente simpatia da visitante, e logo senti-me confortavelmente feliz ao seu lado, servindo-a com minha hospitalidade e segredos imensuráveis.
Nem tão logo anoitecia, e percebi o fim da bela metáfora eufemizada. Ira foi capaz de trair-me em seu cíclico procedimento de perversão, e nada mais construí, desde então, até encontrar uma antiga leitora de tolices, que, por desamor, veio contar-me a boa nova: 'gosto de breguices em acúmulo'.
Há quem mencione a conveniência destas sucessões, e há quem se prenda ao enredo que propus ao título inconsistente. Cabe à crítica do leitor apontar o que lhe é mais lucrativo e agradável.

quinta-feira, julho 30, 2009

Forasteiro, ainda que conterrâneo.

Em uma incrível tentativa de abordar, tornando-se cada vez mais impossível, o mais paciente dos leitores, empreendo meus esforços em textos de pouca confusão e stress. Para que isto não ocorra de modo negativo, apenas gostaria de indicar uma banda (grupo) capaz de conter meus surtos psicóticos e proporcionar boas risadas de prazer psicológico: The Prodigy. A banda é uma relação do eletrônico e o punk, onde dançarinos compõem mixagens extremamente psicodélicas e agradáveis. Embora eu não tenha conhecimento dos gêneros musicais prediletos de meu escasso número de visitantes, a sensação que o som produz é de imensa necessidade àqueles que não se contentam em deixar a música passar pelos ouvidos e se chocar com a ignorância e perda crítica dos mesmos. Deste modo, implemento um vídeo para "degustação". Aproveitem ao máximo, apesar de ser uma postagem estúpida. ><

domingo, julho 26, 2009

Atônito - um primeiro parâmetro.



Se me incomoda tal fato, ainda que horrendo e possesso de repugnância, minh'alma se acalma em curtos segundos de auto-flagelação e mimetismo estúpido. Parece-me uma dança de moderadas receitas incoerentes, onde o produto final é, felizmente, um bem-estar de segurança invejável. Interessante é não sentir fundamento para a exposição de memórias tão vagas como as que lêem agora; tão desinteressantes que nos obrigam a desistir de uma leitura pesada e sem rumo, apenas por se tratar de uma prosa segmentada de subjetivas citações e aborrecimentos.


Gostaria de constituir um bom início para esta ferramenta, contudo, tristemente assumindo, creio que haverá uma uniformização a partir desta infeliz postagem: criando-se um desafio ao primeiro leitor que se aventurar nesta tolice, inclusive. Permito, portanto, como adiantamento, um conto de substancial beleza, cuja essência se equipara aos belos reclusos do século XVIII, ou de uma era de lúgubres tentativas de conquistas intelectuais. - um conto de impedir lágrimas e impulsionar decepções, se não é esta a minha tendência com relação aos poucos leitores que me vêem.