quarta-feira, abril 08, 2026

Série Fragmentos - VIII

8. Métricas perdidas



"(...) Dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se a si mesmo não fosse a quinta e mais dificultosa operação das aritméticas humanas, dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as realidades bestiais do mundo não se divertissem a inverter todos os dias a posição relativa dos verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo princípio, como se esse princípio fosse a ponta sempre visível de um fio mal enrolado que bastasse puxar e ir puxando até chegam-nos à outra ponta, a do fim, e como se, entre a primeira e a segunda, tivéssemos tido nas mãos uma linha lisa e contínua em que não havia sido preciso desfazer nós nem desenredar estrangulamentos, coisa impossível de acontecer na vida dos novelos e, se uma outra frase de efeito é permitida, nos novelos da vida."

A Caverna por José Saramago (2000), p. 40.


Guardo-te assim serena em manto de pele, calor e sangue. Pequenina ideia, sonho de tempos e tanto tempo, e assim minha e inteira em mim te consolo. Sonho-te como sem parar, segurando-te nos meus braços como se embrulhasse amazônica folha verde e frágil, pouco a pouco a dobradura do teu sorriso e do teu sono a me acalmar. Contemplo a tua vida preenchendo cada espaço da casa, esperança e desasossego que transmutam em choro, velando amor em caldeirão inesgotável de misturas que bebo a goles fartos enquanto minha falta de sono denuncia o medo de perder-te no éter. Magnética é a força que vem dos teus olhos gigantes que escaneiam curiosos meus passos sempre nervosos, meu cenho ainda virgem de não saber onde tu começas e onde terminas, onde teu corpo se apruma e onde dói. Quero viver uma vida que faça sentido, quero que a vida tenha rumo pra ti, que sopre vela o vento em popa e só desvie se for descansar. Quero explicar-te cada trecho e caminho, dissolver cada açúcar de dúvida no teu germinar. Rogo semente que brote serena, raiz ancorada no berço do mar. Suplico que seja coragem teu lema ainda que leme te falte a navegar. Dobre-se a nada que não seja puro e que haja batalha que só se vença em lutar. Que vitória é ver-te dentro do sonho ainda que seja uma década inteira ou duas mais, um encontro. Rogo semente que cresça sem medo, pois que crescida te acho no horizonte despontar como astro-sol do meu universo inteiro.


-A

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